Este livro analisa documentos, congressos e plenárias da CUT entre 1981 e 2000, revelando como o racismo se manifestou dentro do movimento sindical cutista— e como o ativismo negro resistiu e propôs novas formas de luta.
Desde o início do século XX, os sindicatos travaram grandes batalhas por salários e condições dignas de trabalho.
Mas enquanto isso, a população negra enfrentava discriminação, salários menores e invisibilidade.
Por décadas, as vozes negras foram silenciadas dentro das próprias organizações que diziam representar todos os trabalhadores.
Trabalhador aposentado dos Correios, Historiador, pós graduado em História da Arte, militante de Combate ao Racismo Antipreto
Idealizador do Afromentor, um projeto dedicado à formação crítica e à reflexão sobre a realidade social brasileira.
O projeto parte da compreensão de que trajetórias individuais são profundamente influenciadas por estruturas históricas e sociais.
A proposta do Afromentor é ajudar pessoas a compreender essa realidade e a organizar pensamento, escolhas e projetos de vida a partir dela.
Professor de História da África e da Diáspora no Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA), Doutor em História Social pela PUC e pesquisador visitante do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Mestre em Estudos Comparados de Literaturas de Lingua Portuguesa – USP, militante da Organização Espaço Socialista e professora na rede pública do Estado de São Paulo.
Desde o início do século XX o movimento sindical, em maior ou menor intensidade, travava constantes batalhas no sentido de manter as condições de salário e trabalho para o setor economicamente ativo e regulamentado da classe trabalhadora e também de fortalecimento das instituições sindicais.
Mas, por outro lado, não se manifestava diante dos baixos salários das mulheres e da discriminação racial contra os descendentes de africanos.
Desde o final de 1990, assistimos ao surgimento de diversos sindicatos e centrais sindicais que desenvolveram políticas de enfretamento às instituições patronais e ao governo federal.
Entretanto, nesse enfrentamento, durante o período estudado, pudemos verificar que por um longo tempo houve certo silêncio por parte dos sindicalistas da CUT sobre as relações étnico-raciais no mercado de trabalho, mas quando o silêncio foi rompido, ainda que timidamente, não se garantiu a inclusão do povo negro.
Os sindicatos e as centrais não traçaram planos de ações com o objetivo de incluir a população negra nesse promissor mercado de trabalho. Entender o porquê desse silêncio e da morosidade em se criar ações de inclusão é muito importante e tornou-se um dos propósitos presentes neste trabalho.
Buscar esse entendimento por meio da análise de diversos documentos relacionados aos Congressos e Plenárias da Central Única dos Trabalhadores para saber como essa Central tratou de questões étnico-raciais no último quartel do século XX, entre 1981 e 2000, foi o percurso escolhido.